<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4835237303498521791</id><updated>2012-02-17T16:44:48.563-08:00</updated><title type='text'>livro morto</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://livromorto.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4835237303498521791/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://livromorto.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Vitor Simon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17673991869491996423</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-r8TnJqgYsiU/Tt5qAfXt8oI/AAAAAAAAAVQ/fpQtuteO8o4/s220/P1011354.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>32</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4835237303498521791.post-1769099525744755041</id><published>2012-02-17T08:44:00.010-08:00</published><updated>2012-02-17T09:13:27.352-08:00</updated><title type='text'>Do que reluz entre as sombras</title><content type='html'>É evidente em Shakespeare a visão do amor como impossibilidade, distância e, consequentemente, tragédia. É a dor de corno em sua sofisticação máxima. Disso vem a percepção, sempre verdadeira, de que a alegria está na superficialidade e que no profundo há somente o drama. Mas o amor é visto de forma ainda mais ampla pelo autor em seus Sonetos, uma coletânia formada por, ao todo, 154 poemas. Neles há um que me paralisa por sua perfeição ‒ o soneto 43:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Quanto mais pisco, melhor meus olhos veem,&lt;br /&gt;Pois o dia todo vislumbram coisas que nada são;&lt;br /&gt;Mas, quando adormeço, surges em meus sonhos,&lt;br /&gt;E, luzindo no escuro, fulgem em meio ao breu;&lt;br /&gt;E tu, cujo vulto reluz entre as sombras,&lt;br /&gt;Cuja forma mostra-se alegre,&lt;br /&gt;Na claridade, tua luz é ainda maior,&lt;br /&gt;Que, ante meus olhos baços, faz tua sombra brilhar!&lt;br /&gt;Como (eu diria) seriam meus olhos abençoados&lt;br /&gt;Ao ver-te à luz do dia,&lt;br /&gt;Quando, na calada da noite, tua sombra bela e imperfeita&lt;br /&gt;Permanece sob minhas pálpebras durante o sono!&lt;br /&gt;Todos os dias são noites, até que eu te veja,&lt;br /&gt;E as noites, dias claros, ao mostrar-te em meus sonhos.&lt;br /&gt;(tradução de Thereza Christina Rocque da Motta)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao leitor mais desatento, é apenas um apaixonado que vê o objeto de seu amor em sonho. Mas há algo nas entrelinhas: o quanto o amor e a experiência da arte, sonhada e imaginada, estão muito além da própria vida. Então, o que era para ser simplesmente um soneto de amor, adquire dimensão filosófica. Avança sobre a sombra de nossos sonhos, aquilo que vivemos de olhos fechados, e nos coloca uma nova questão. O que são eles? Pura ilusão ou a verdadeira vida, superior àquilo que vemos à luz do dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Shakespeare quer nos dizer de forma sutil: “Esqueça o que vê, olhe para dentro. Lá existe um universo assustadoramente belo, onde tudo faz mais sentido. Ame e viva de olhos fechados, em seus sonhos”. A despeito das tragédias escritas por ele, Shakespeare era um otimista. Acreditava que a subjetividade das coisas transfigurava a própria vida. “Na claridade, tua luz é ainda maior”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Soneto 43 no teatro, por Bob Wilson:&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe width="480" height="360" src="http://www.youtube.com/embed/PYDZj8kZq_A?rel=0" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4835237303498521791-1769099525744755041?l=livromorto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://livromorto.blogspot.com/feeds/1769099525744755041/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://livromorto.blogspot.com/2012/02/do-que-reluz-entre-as-sombras.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4835237303498521791/posts/default/1769099525744755041'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4835237303498521791/posts/default/1769099525744755041'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://livromorto.blogspot.com/2012/02/do-que-reluz-entre-as-sombras.html' title='Do que reluz entre as sombras'/><author><name>Vitor Simon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17673991869491996423</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-r8TnJqgYsiU/Tt5qAfXt8oI/AAAAAAAAAVQ/fpQtuteO8o4/s220/P1011354.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/PYDZj8kZq_A/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4835237303498521791.post-3818373966996612223</id><published>2012-02-09T08:59:00.001-08:00</published><updated>2012-02-09T09:38:35.755-08:00</updated><title type='text'>Tempo, mano velho</title><content type='html'>Eis que vejo as pessoas envelhecendo. Inclusive eu. Há 20 anos eu estava na faculdade. Daqui a 20 anos serei um idoso. Talvez até antes. E vupt, passou. Mas aí ouço aqueles discursos de pessoas que supostamente curtem a vida adoidado, dizendo que é preciso aproveitar cada minuto, pois a existência é muito breve. Ok, certíssimo. Mas me pergunto: o que há de tão urgente assim para ser aproveitado? Que coisas são essas que precisam ser feitas antes que a morte me pegue de sopetão? Faço coisas todos os dias, e aí, tem algo que estou esquecendo, meu Deus do céu? Preciso correr para fazer não sei o quê, porque a vida é muito curta, ora essa. Só que ela é, também, insuficiente. Então por que o desespero?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, tive a boa vontade de tentar entender que emergências são essas. Passar a noite na gandaia enchendo a cara? Realmente um excelente investimento de tempo, ao qual deverá se somar o tempo gasto com a ressaca do dia seguinte. Viajar pelo mundo? Ótimo, não fosse o desconforto de abandonar o lar, onde tudo é do meu jeitinho, para aguentar a arrogância de algum gringo que só quer saber dos meus reais convertidos em dólares ou euros, que não se importa em falar a minha língua e que só tem pra mostrar um monte de coisas que são muito mais bonitas no papelão dos cartões postais. Ir ao estádio de futebol? Claro. Ficar rouco, tomar sol e chuva no lombo e dar renda para o clube, que não está nem aí pra mim, pagar salários milionários para seus jogadores comprarem brincos de ouro e o carrão importado mais caro do mercado. Comer bem? Óbvio. De preferência com requintes de gordura e açúcar, pra entupir as veias e ferrar com a saúde. Assim passo bastante trabalho mais tarde (ou mais cedo) no hospital e gasto o tempo dos outros. Já chega? Não, tem mais. Tem gente que “aproveita a vida” trabalhando que nem louco pra conseguir (ou manter) o emprego dos sonhos, ou faz trocentas faculdades e cursos para estar sempre preparado para o mercado, ganhar rios de dinheiro e comprar um monte de coisas que ele de fato não precisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe o que eu descobri? As coisas realmente importantes não tem assim toda essa urgência. Ajude alguém por horas e horas, você vai se sentir melhor. Gaste seu tempo dando atenção aos outros. Converse com seu filho, sem pressa. Leia aquele livro quando estiver a fim. Você vai fazer com mais prazer e se deliciar. Não é obrigatório estar em êxtase 24 horas por dia. Porque a vida tem o tempo certo. E cada um aproveita do seu jeito, como quer e como pode. Gosto de acreditar que, se a morte chegar amanhã ou daqui a 60 anos, tudo valeu. Porque o tempo é uma invenção do homem e, se for pensar, a gente nem precisa dele.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4835237303498521791-3818373966996612223?l=livromorto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://livromorto.blogspot.com/feeds/3818373966996612223/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://livromorto.blogspot.com/2012/02/tempo-mano-velho.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4835237303498521791/posts/default/3818373966996612223'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4835237303498521791/posts/default/3818373966996612223'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://livromorto.blogspot.com/2012/02/tempo-mano-velho.html' title='Tempo, mano velho'/><author><name>Vitor Simon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17673991869491996423</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-r8TnJqgYsiU/Tt5qAfXt8oI/AAAAAAAAAVQ/fpQtuteO8o4/s220/P1011354.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4835237303498521791.post-6713140991030917705</id><published>2012-02-02T03:12:00.001-08:00</published><updated>2012-02-02T03:15:16.619-08:00</updated><title type='text'>Estamos ficando mais calmos?</title><content type='html'>Aconteceu hoje. Eu parado na sinaleira com três carros na minha frente. O sinal ficou verde e nada do primeiro da fila se mexer. Aí é que o mais incrível aconteceu: NINGUÉM buzinou. Isso demorou uns dez segundos, até que o motorista percebeu e arrancou. Eu já estava com meu dedo coçando em cima da buzina. Foi algo banal e que não significa absolutamente nada, mas, depois do ocorrido, fiquei com uma sensação boa. A vida ficou suspensa no ar, leve, mágica. E mandou uma mensagem velada: a paciência e a tolerância em relação aos outros não está extinta, como eu imaginava. Para usar uma frase nada original: nem tudo está perdido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trânsito costuma ser uma válvula de escape para outros problemas. Um lugar para descontar a raiva pelo chefe, a insatisfação no casamento, o desgaste dos compromissos intermináveis, a falta de dinheiro, os sonhos não realizados, a bronca com o vizinho e com o governo. Mas talvez algo esteja mudando, embora o noticiário da TV diga sempre o contrário. Porque é preciso que a decadência esteja em alta. É ela que sustenta profissões como a dos jornalistas, médicos, advogados, psicólogos, políticos e, é claro, publicitários como eu, que incentivam as pessoas a consumirem para se acalmarem. Só que esse modelo cansa e se esgota. No fim das contas, os paliativos perdem o efeito e fica somente a dor. É ela que nos ensina (se formos inteligentes e humildes para aprender) e realmente nos acalma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro, o que aconteceu hoje foi um fato isolado, quase nada se comparado às brigas no trânsito, aos retrovisores chutados pelos motoboys, aos surtos psicóticos de motoristas, principalmente nas grandes cidades. Porque há cada vez mais veículos e menos espaços. Mas pra mim, a espera silenciosa na sinaleira serviu para acreditar que o ser humano ainda pode ser generoso e bom. Quero pensar assim, pois me faz bem acreditar nisso. E me faz ver que eu também posso e devo me incluir nessa mudança.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4835237303498521791-6713140991030917705?l=livromorto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://livromorto.blogspot.com/feeds/6713140991030917705/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://livromorto.blogspot.com/2012/02/estamos-ficando-mais-calmos.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4835237303498521791/posts/default/6713140991030917705'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4835237303498521791/posts/default/6713140991030917705'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://livromorto.blogspot.com/2012/02/estamos-ficando-mais-calmos.html' title='Estamos ficando mais calmos?'/><author><name>Vitor Simon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17673991869491996423</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-r8TnJqgYsiU/Tt5qAfXt8oI/AAAAAAAAAVQ/fpQtuteO8o4/s220/P1011354.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4835237303498521791.post-3949439721265845184</id><published>2012-01-23T12:21:00.000-08:00</published><updated>2012-01-23T15:02:30.942-08:00</updated><title type='text'>A invasão silenciosa dos ogros</title><content type='html'>Quando vejo uma multidão, imagino suas particularidades, tudo o que pode haver ali. Um assassino, um criminoso, um viciado em guaraná cerebral, um espião da CIA, um gênio da física, um tarado exótico vintage (subclasse dos tarados exóticos, porque o retrô sempre está na moda). Há ainda quem seja mais neurótico do que eu e veja entre uma centena de pessoas algum extraterrestre ou um androide. Mas eu fiz recentemente uma descoberta bombástica e vou revelá-la aqui, em primeira mão, antes que eu desapareça, pois me parece que a Camorra está por trás disso também. HÁ OGROS (E OBVIAMENTE OGRAS) DISFARÇADOS NO MEIO DO POVO. Pronto, falei. Agora já me sinto bem melhor.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Os ogros sempre se denunciam por falarem o que pensam, doa a quem doer. Você não pode identificá-los visualmente, porque o verde de sua pele foi intencionalmente descolorido (camuflagem dos ogros), mas, depois que você os reconhece, eles não fazem muita questão de esconder o que são. Pelo contrário, até se orgulham disso. Gostam muito de comer, sempre pratos bem calóricos e engolobados (substantivo inexistente transformado em adjetivo por minha livre e espontânea vontade). Mesmo assim, nem sempre são gordos, embora sempre se autodenominem assim. Em certos casos, podem ser absolutamente atraentes. Mas não se engane: são ogros. E não se iluda em conquistá-los, é inútil. Alguns têm medo de baratas (as ogras, nesse caso). Esqueça Shrek ou Fiona, isso é bobagem hollywoodiana. Os ogros não são assim tão bobinhos e sorridentes, embora sejam felizes, a seu modo. E eles não têm camadas. Cebola tem camadas. Ogros não têm camadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que querem os ogros? Ainda não sabemos. Acho que vivem infiltrados apenas para não serem perseguidos com tochas, e porque seu pântano foi invadido e aterrado. Hoje lá existe um condomínio de luxo para personagens de histórias infantis e gente sem noção, que ocupa o espaço dos outros com o seu &lt;em&gt;happy way of life&lt;/em&gt;. Gente como eu, talvez como você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, pra finalizar, chegamos à parte nhé-nhé-nhé do texto: se você souber enxergar no fundo do coraçãozinho de um ogro, vai ver algo lindo de verdade. Um espetáculo que paralisa seus nervos feito veneno de baiacu (isso se confirma cientificamente?). Um pôr-do-sol que nunca termina. Mas isso talvez não passe de mera aparência. Um bocado de pancake sobre a pele verde.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4835237303498521791-3949439721265845184?l=livromorto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://livromorto.blogspot.com/feeds/3949439721265845184/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://livromorto.blogspot.com/2012/01/invasao-dos-ogros.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4835237303498521791/posts/default/3949439721265845184'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4835237303498521791/posts/default/3949439721265845184'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://livromorto.blogspot.com/2012/01/invasao-dos-ogros.html' title='A invasão silenciosa dos ogros'/><author><name>Vitor Simon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17673991869491996423</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-r8TnJqgYsiU/Tt5qAfXt8oI/AAAAAAAAAVQ/fpQtuteO8o4/s220/P1011354.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4835237303498521791.post-5589974985430090494</id><published>2012-01-19T07:48:00.001-08:00</published><updated>2012-01-19T07:53:59.452-08:00</updated><title type='text'>Diga não à mudança</title><content type='html'>Existe um erro clássico, que muitos de nós cometemos, de achar que a motivação está na mudança. Então mudamos a toda hora de relacionamento, de emprego, de país e, de fato, ficamos muito motivados. Durante um dia. Uma semana. Talvez um mês. Depois precisamos de outra mudança. E depois de outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não quero dizer que a mudança é algo ruim. Ela é, muitas vezes, necessária. Mas não como exercício motivacional. Dá pra se motivar sem sair do lugar. Sem mexer um dedo. Até no ócio. No “dolce far niente”. Experimente. O Ano Novo já passou, mas ainda dá tempo de dizer a si mesmo que, em 2012, você simplesmente não vai mudar nada em sua vida. Assim, de propósito. Pelo menos não vai fazer grandes mudanças, porque pequenas coisas a gente sempre acaba modificando. Acredite, você consegue. Deixe tudo como está, sem nenhuma culpa, sem sentir que perdeu um ano da sua vida com isso. O mundo precisa de pessoas que o desacelerem, que o deixem menos tenso e ansioso. Menos dinâmico. O mundo precisa de pessoas que saibam valorizar o que elas têm e não queiram sempre mais e mais, sem nunca ficarem satisfeitas com isso. É a roda viva da infelicidade. Um ciclo que nunca se fecha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu penso no que fiz até hoje: corri atrás de coisas que me disseram que eram necessárias. Forçando situações, na maioria das vezes. Mas o que me veio ao natural, sem que eu planejasse muito, foi o que valeu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não querer mudança o tempo todo não faz de mim uma pessoa acomodada. E nem medíocre, como muitos poderiam achar. Posso sim, a partir do que sou e do que tenho, aos poucos ir associando o que me for possível, deixando o que não presta para trás. Isso em todos os planos, no material e no imaterial. Sem tanta cobrança, sem tanta pressão. Caminhando um centímetro por década. E isso já está de bom tamanho. Já é motivação suficiente para uma vida inteira.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4835237303498521791-5589974985430090494?l=livromorto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://livromorto.blogspot.com/feeds/5589974985430090494/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://livromorto.blogspot.com/2012/01/diga-nao-mudanca.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4835237303498521791/posts/default/5589974985430090494'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4835237303498521791/posts/default/5589974985430090494'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://livromorto.blogspot.com/2012/01/diga-nao-mudanca.html' title='Diga não à mudança'/><author><name>Vitor Simon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17673991869491996423</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-r8TnJqgYsiU/Tt5qAfXt8oI/AAAAAAAAAVQ/fpQtuteO8o4/s220/P1011354.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4835237303498521791.post-6111144546504702753</id><published>2012-01-12T15:57:00.000-08:00</published><updated>2012-01-12T16:22:24.929-08:00</updated><title type='text'>A fome e a vontade de comer</title><content type='html'>Há um diálogo genial em "A maçã no escuro" que demonstra de forma clara e precisa a complexidade de nossos desejos, frustrações, de nossa eterna insatisfação e perene mal-estar. Peço licença ao espírito da autora para transcrevê-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Não sabia por onde começar a pensar. Então lembrou-se de seu filho que um dia dissera na hora do jantar: não quero esta comida! A mãe retrucara: que comida você quer? O menino terminara dizendo com o doloroso espanto da descoberta:&lt;br /&gt;- Nenhuma!&lt;br /&gt;Ele, Martim, então lhe dissera:&lt;br /&gt;- É muito simples: se você não está com fome, não precisa comer.&lt;br /&gt;Mas a criança começara a chorar:&lt;br /&gt;- Não estou com fome, não estou com fome...&lt;br /&gt;E como o rádio também estava ligado, o homem gritara:&lt;br /&gt;- Já lhe disse que se você não tem fome não precisa comer! Por que então está chorando?&lt;br /&gt;O menino respondera:&lt;br /&gt;- Estou chorando porque não estou com fome.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que nos falta, fico me perguntando. A comida, a fome, ou as duas estarem juntas? O mais comum é desejarmos o que não podemos ter. Mas e o oposto? Quando nos é ofertado algo que não sabíamos que queríamos, ou não esperávamos. E amanhã, quando a fome voltar, o banquete ainda estará lá? Não terá estragado? Ou o importante é ter um motivo para chorar? Na vida, nos relacionamentos, o mais complicado são os encaixes. Juntar a fome e a vontade de comer. A benção, Clarice Lispector.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4835237303498521791-6111144546504702753?l=livromorto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://livromorto.blogspot.com/feeds/6111144546504702753/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://livromorto.blogspot.com/2012/01/fome-e-vontade-de-comer.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4835237303498521791/posts/default/6111144546504702753'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4835237303498521791/posts/default/6111144546504702753'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://livromorto.blogspot.com/2012/01/fome-e-vontade-de-comer.html' title='A fome e a vontade de comer'/><author><name>Vitor Simon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17673991869491996423</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-r8TnJqgYsiU/Tt5qAfXt8oI/AAAAAAAAAVQ/fpQtuteO8o4/s220/P1011354.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4835237303498521791.post-6903122856635150569</id><published>2011-12-31T08:55:00.001-08:00</published><updated>2012-01-01T16:39:33.365-08:00</updated><title type='text'>Imediato</title><content type='html'>“The Sea Wolf”, ou “O Lobo do Mar”, é uma incrível novela de Jack London que foi transformada em minissérie e filme. Conta as aventuras do barco Ghost, comandado pelo temível capitão Wolf Larsen, interpretado magistralmente pelo ator alemão Sebastian Koch. Tudo começa a mudar quando o Ghost resgata do mar Humphrey Van Weyden (Stephen Campbell Moore), um jovem inteligente e bem educado que começa a introduzir valores humanitários na rotina do navio, desafiando a dureza e crueldade de Larsen. Contrariando todas as expectativas, isso agrada ao capitão, que acaba nomeando Van Weyden seu imediato. Por outro lado, há algo na liderança de Larsen que mexe com Van Weyden, que o inspira e transfigura, que faz dele um homem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O imediato, como o nome já diz, é aquele a quem o comandante recorre em primeiro lugar para diversas necessidades, ou para dar sequência às suas ordens. Uma figura importantíssima, que na gestão pública ou nas empresas recebe outros nomes. Deve tratar os subordinados com elegância – Van Weyden pedia “icem as velas, por favor”, o que provocava risos no convés. É o interlocutor entre o chefe, na maioria dos casos prepotente e egocêntrico, e os marujos, que necessitam de orientação para o que quer que seja. Inclusive na revolta. Foi Van Weyden que acalmou os ânimos dos marinheiros quando a insubordinação se instaurava. Tanto que, quando ele decide deixar o navio para salvar das garras de Larsen a sua amada Maud Brewster (Neve Campbell), também resgatada do mar pelo Ghost, a revolta toma conta. Pra piorar a situação de Wolf, o barco de seu irmão e desafeto, Death Larsen (mais uma interpretação genial de Tim Roth, especialista em fazer vilões), aborda o Ghost, deixando Wolf cego, ferido e solitário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas há algo de sombrio no papel do imediato. Em uma determinada cena, em que Larsen percebe a insurreição dos marinheiros, ele comenta com Van Weyden: “estão conspirando... como meu imediato, deve me manter informado”. Até que ponto um imediato deve ser complacente com uma autoridade injusta e desumana? Van Weyden, de bom coração, decide informar aos conspiradores as coordenadas de Yokohama e os aconselha a fuga. Eles, porém, se perdem no mar e, quando cruzam novamente com o Ghost, Larsen se nega a resgatá-los. Consequência da decisão de Van Weyden de “ajudá-los”. Não é fácil ter essa responsabilidade sobre a vida das pessoas. É preciso saber olhar para os dois lados. Ter um olho a bombordo e outro a estibordo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu pai foi uma espécie de imediato. Ele era capataz em uma granja com plantação de trigo, soja e criação de gado. Ele comandava meia dúzia de empregados e lembro de vê-lo constantemente administrando conflitos, principalmente entre os próprios “marujos”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O Lobo do Mar” é um microcosmo que retrata o mundo onde vivemos. Onde não há líderes justos e honestos e nem um povo com motivação própria, suficientemente consciente e organizado para se autogerir. No que eu acredito então? Numa transformação lenta e gradativa da sociedade promovida por bons imediatos. Que eles salvem o nosso barco.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4835237303498521791-6903122856635150569?l=livromorto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://livromorto.blogspot.com/feeds/6903122856635150569/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://livromorto.blogspot.com/2011/12/imediato.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4835237303498521791/posts/default/6903122856635150569'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4835237303498521791/posts/default/6903122856635150569'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://livromorto.blogspot.com/2011/12/imediato.html' title='Imediato'/><author><name>Vitor Simon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17673991869491996423</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-r8TnJqgYsiU/Tt5qAfXt8oI/AAAAAAAAAVQ/fpQtuteO8o4/s220/P1011354.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4835237303498521791.post-13444073647454511</id><published>2011-12-28T18:05:00.000-08:00</published><updated>2011-12-28T18:27:44.669-08:00</updated><title type='text'>Meursault e Dahlmann</title><content type='html'>Tenho dois personagens preferidos na literatura. São eles Meursault, de "O Estrangeiro", livro escrito por Camus; e Juan Dahlmann, de "O Sul", conto escrito por Borges. Os dois envolvem-se em brigas estúpidas, que poderiam ser evitadas, mas que permitem a esses personagens um passo na direção da transcendência. Mas vejamos cada caso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meursault é um jovem escriturário de Argel sem grandes sonhos ou perspectivas que acaba de perder a mãe, fato ao qual parece insensível. Ele acaba se envolvendo em uma briga que nem é dele, e sim de um amigo. Por fim, mata um árabe disparando a sangue frio sem sequer saber o porquê. Mais que isso: não sente qualquer culpa. É preso, julgado pelo crime e condenado à morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Juan Dahlmann é um senhor que trabalha em uma biblioteca e sofre um pequeno acidente ao chegar em casa. O ferimento lhe rende quase um falecimento por septicemia e ele passa por todos os sofrimentos possíveis no hospital até conseguir a alta. Livre de uma morte de agonia e humilhação, ele entrega-se à outra, de sua escolha: uma briga de adaga (que não saberá manejar) a céu aberto com um desconhecido, sem um motivo com importância que a justifique (bolinhas de miolo de pão atiradas em seu rosto) em uma planície do Pampa argentino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos dois casos, a proximidade com a morte, com a ideia de finitude, transfiguram os personagens e dão uma outra expressão às suas próprias vidas. Trazem de dentro deles uma força que os exalta, independentemente de julgamentos morais. Não sabem o que fazem e parecem, no entanto, tão convictos desse absurdo ao qual se entregam. Meursault e Dahlmann são cada um de nós em nossos tormentos íntimos, em nosso temores e, enfim, em nossa coragem. Em nosso desespero de dar algum sentido, por pior que ele seja, à existência. São o poço em cujo fundo enxergamos refletida a nossa imagem. Atirando no árabe na praia, sob o sol que cega. Partindo para a planície com a adaga na mão. Caminhando inapelavelmente para o fim que já não assombra, mas, do contrário, nos revela.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4835237303498521791-13444073647454511?l=livromorto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://livromorto.blogspot.com/feeds/13444073647454511/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://livromorto.blogspot.com/2011/12/mersault-e-dahlmann.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4835237303498521791/posts/default/13444073647454511'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4835237303498521791/posts/default/13444073647454511'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://livromorto.blogspot.com/2011/12/mersault-e-dahlmann.html' title='Meursault e Dahlmann'/><author><name>Vitor Simon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17673991869491996423</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-r8TnJqgYsiU/Tt5qAfXt8oI/AAAAAAAAAVQ/fpQtuteO8o4/s220/P1011354.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4835237303498521791.post-5617905647330103942</id><published>2011-12-09T08:41:00.001-08:00</published><updated>2011-12-20T12:30:19.690-08:00</updated><title type='text'>Falou e disse</title><content type='html'>A nossa língua portuguesa tem expressões pitorescas que renderiam uma boa conversa de bar. Cada uma com a sua utilidade. Tem aquelas que servem para dizer a mesma coisa, só que de um jeito diferente. Tem também as expressões muito úteis para aqueles que não querem dizer nada, ou seja, para quem só quer “chover no molhado”. “A priori” e “no âmago da questão” eram as preferidas de uma certa professora minha na faculdade. Ora, mas quem está interessado no que não está “no âmago da questão”? Melhor seria ir mesmo direto ao ponto para terminar logo aquela aula chata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a expressão que eu mais gosto, disparado, é essa: “e aí que eu me refiro”. Essa é imbatível. Embora gramaticalmente estranha (falta uma preposição ali, creio que o mais correto seria dizer "é a isso que eu me refiro", mas dessa forma perderia todo o seu encanto e a sua, com o perdão da redundância, expressão), tem o poder de encerrar qualquer conversa, qualquer discurso, porque chega justamente no ponto G do assunto em questão. Chegamos lá, não tem mais o que dizer. Tudo o que vem depois é supérfluo, o mais completo papo furado. Ouvi essa hoje no almoço. Depois disso, fez-se um silêncio retumbante no recinto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4835237303498521791-5617905647330103942?l=livromorto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://livromorto.blogspot.com/feeds/5617905647330103942/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://livromorto.blogspot.com/2011/12/falou-e-disse.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4835237303498521791/posts/default/5617905647330103942'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4835237303498521791/posts/default/5617905647330103942'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://livromorto.blogspot.com/2011/12/falou-e-disse.html' title='Falou e disse'/><author><name>Vitor Simon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17673991869491996423</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-r8TnJqgYsiU/Tt5qAfXt8oI/AAAAAAAAAVQ/fpQtuteO8o4/s220/P1011354.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4835237303498521791.post-8277848850921302562</id><published>2011-11-24T03:10:00.000-08:00</published><updated>2011-11-24T03:15:40.550-08:00</updated><title type='text'>Prazer, Atlântico</title><content type='html'>Conheci o mar aos doze anos, quando meu tio conseguiu convencer o pai a viajar 500 km pra passar as férias na praia. Antes disso, os nossos janeiros sempre eram lá na granja onde o pai trabalhava, a 20 km da cidade. E, muitas vezes, os fevereiros também. Isso ajudava a manter a família mais unida durante o verão, quando o pai normalmente estava bem ocupado com o combate à praga das lagartas da soja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tio alugou uma casa em Rainha do Mar. Não era lá essas coisas, tanto que a gente tirava fotos na frente da casa do vizinho, que era bem mais bonita. Lembro que, no dia em que chegamos, a minha decepção foi proporcional à expectativa, porque era um dia de forte ressaca e a areia estava toda tomada pela água. Andávamos com o mar pelos tornozelos. Levei algum tempo para tirar da minha cabeça aquela primeira impressão da praia, pois logo de cara imaginei que fosse sempre daquele jeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pai tinha umas esquisitices como acordar de madrugada para andar e ver o sol nascer sobre o oceano. Era um verdadeiro sacrifício levantar da cama tão cedo, por isso eu nem sempre conseguia acompanhá-lo nas caminhadas matinais. Mas me motivava a possibilidade de colher as mais belas conchas, que se depositavam em profusão pela orla justamente no início da manhã. E quando a memória me traz de volta o frescor e a luminosidade da alvorada, o ímpeto das ondas, as marcas grandes e pequenas dos pés sobre a areia, a vida parece bem menos complicada. Bem do jeitinho que era quando eu tinha só doze anos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4835237303498521791-8277848850921302562?l=livromorto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://livromorto.blogspot.com/feeds/8277848850921302562/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://livromorto.blogspot.com/2011/11/prazer-atlantico.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4835237303498521791/posts/default/8277848850921302562'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4835237303498521791/posts/default/8277848850921302562'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://livromorto.blogspot.com/2011/11/prazer-atlantico.html' title='Prazer, Atlântico'/><author><name>Vitor Simon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17673991869491996423</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-r8TnJqgYsiU/Tt5qAfXt8oI/AAAAAAAAAVQ/fpQtuteO8o4/s220/P1011354.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4835237303498521791.post-1775400436944425505</id><published>2011-11-23T05:42:00.000-08:00</published><updated>2011-11-23T06:05:45.644-08:00</updated><title type='text'>Pedidos ao anjinho</title><content type='html'>Toda noite, antes de dormir, a Carol reza aquela clássica "santo anjo de senhor, meu zeloso guardador..." e depois ela emenda um relatório para o anjo da guarda que é mais ou menos assim: "anjinho, não deixa eu sonhar com a Malévola, com a bruxa da Branca de Neve, com a Natália me assustando (a coleguinha pentelha), com a perereca da Xuxa de unhão (essa é a que eu mais gosto), com a bruxa do Lago dos Cisnes e Magia de Aladus (clássicos da Barbie em DVD)... nem com bruxas, nem com monstros, nem com nada, amém". A lista tem pequenas variações, mas é quase sempre isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feito isso, pode dormir sossegada. Depois de alguns minutos, ela costuma abrir os olhos e dizer que esqueceu de incluir um item na lista para o anjinho. Eu sempre a tranquilizo, digo que não tem problema, que o anjinho sabe e que vai protegê-la de qualquer mal, mas ela nunca leva muita fé nisso. Quer ter a certeza de que vai poder cobrar o anjinho mais tarde. Como vou contrariá-la, não deixa de ter uma certa razão: anjo da guarda não pode dormir em serviço, ora bolas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4835237303498521791-1775400436944425505?l=livromorto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://livromorto.blogspot.com/feeds/1775400436944425505/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://livromorto.blogspot.com/2011/11/pedidos-ao-anjinho.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4835237303498521791/posts/default/1775400436944425505'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4835237303498521791/posts/default/1775400436944425505'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://livromorto.blogspot.com/2011/11/pedidos-ao-anjinho.html' title='Pedidos ao anjinho'/><author><name>Vitor Simon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17673991869491996423</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-r8TnJqgYsiU/Tt5qAfXt8oI/AAAAAAAAAVQ/fpQtuteO8o4/s220/P1011354.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4835237303498521791.post-5739619726531731460</id><published>2011-11-22T02:50:00.001-08:00</published><updated>2011-11-23T08:25:53.570-08:00</updated><title type='text'>Cabeça</title><content type='html'>O Cabeça foi batizado por engano como Ricardo. Até hoje me pergunto como foi que o Seu Erni e a Dona Élida não viram que o nome deveria ser Cabeça? Enfim... a história é a seguinte: no meu último ano de escola, o temível terceiro ano do segundo grau (era como se chamava o Ensino Médio), houve uma mudança na direção da escola. Uma mudança muito desejada, pois o diretor anterior era um sujeito de bigodinho curto que havia provocado algumas confusões lá na Europa no fim da década de 30, junto com seu exército, e que tinha feito de conta que havia se matado, mudando-se para a nossa simpática Panambi e disfarçando-se de diretor. Mas lidamos muito bem com o problema: telefonamos para os aliados, eles invadiram a cidade e botaram o malvado pra correr. Simples assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Seu Erni então chegara para varrer a casa com o seu estilo tranquilão. E o novo diretor tinha um filho que seria meu novo colega de turma. Quem? O Cabeça. Decidi, por conta e risco, que seria seu amigo. Sorriso largo, bom humor, paciência para ouvir minhas abobrinhas: aquele era o amigo perfeito para um cara como eu, de pouco amigos. Alguém de fora da cidade, livre do ranço que eu já tinha com os nativos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ajudou bastante o fato de termos as mesmas convicções políticas (pelo menos na época) e os mesmos gostos: música, teatro, literatura. Tanto que, passado aquele ano, mesmo seguindo para fazer faculdade em cidades diferentes (ele em Porto Alegre, eu em Santa Maria), continuamos nos visitando. Lembro de acordar no apartamento da Rua Garibaldi e ficar ouvindo ótimos CDs dos Mutantes enquanto o Cabeça ia para o estágio em um escritório de advocacia logo ali, na Independência. O mais vagabundo dos dois sempre fui eu. Fora isso, lembro de fatos isolados: a caminhada de mais de 5km até a entrada da cidade para conhecer de perto um acampamento do MST; o dia em que ele roubou de seu pai as chaves da escola (o que lhe rendeu um bom castigo) para que pudéssemos “enfeitá-la” de papel higiênico, uma prática comum por parte da turma que está se despedindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, o tempo passou e o Cabeça, além de ser um amigo exemplar, tornou-se também um advogado exemplar e, mais do que tudo isso, um pai exemplar. Já faz um tempinho, ele e a Simone, sua esposa, tiveram que enfrentar o diagnóstico de diabetes tipo 1 da sua primogênita, a Catarina. O legal é que criaram uma forma positiva de lidar com a doença da filha, que exige atenção e envolvimento constantes, relatando todas as suas experiências no blog Família Tipo 1. O blog emociona e tem momentos até românticos, como o fato da Catarina usar os mesmos dedos onde leva várias picadinhas por dia, essenciais para medir a glicose, para também tocar piano divinamente. É, Cabeça, teus 15 minutos de fama já passaram aqui no blog. Acho que em breve vou escrever um post sobre a admirável guerreira Catarina.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4835237303498521791-5739619726531731460?l=livromorto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://livromorto.blogspot.com/feeds/5739619726531731460/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://livromorto.blogspot.com/2011/11/personagens-de-verdade-cabeca.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4835237303498521791/posts/default/5739619726531731460'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4835237303498521791/posts/default/5739619726531731460'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://livromorto.blogspot.com/2011/11/personagens-de-verdade-cabeca.html' title='Cabeça'/><author><name>Vitor Simon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17673991869491996423</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-r8TnJqgYsiU/Tt5qAfXt8oI/AAAAAAAAAVQ/fpQtuteO8o4/s220/P1011354.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4835237303498521791.post-1381191448852160646</id><published>2011-10-20T17:39:00.001-07:00</published><updated>2011-10-21T04:00:55.312-07:00</updated><title type='text'>História de amor sem dor</title><content type='html'>“Viver longe dela dá vontade de morrer”. Escrevo essa frase no guardanapo, enquanto a cerveja perde o colarinho. Enquanto a barata passa por entre as mesas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Dizem que elas vão pra Plutão – resmunga um senhor na mesa ao lado, com barba branca, a cara vermelha e uma barriga bem redonda. Algo meio Hemingway.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Engraçado ele falar em Plutão. Eu pensava que os apaixonados fossem pra lá, e não as baratas. Não sei o porquê. Talvez por ser o planeta mais distante. Lá não chegariam as dores, os sofrimentos, nada que pudesse atrapalhar o mais puro amor. Nem os punhais e nem os vidros de veneno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Elas chegam até lá porque são mais resistentes – insiste o senhor, sem conseguir disfarçar a embriaguez. – Aguentam até bomba atômica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peço outra cerveja. Talvez uma porção de corações. Não preciso de muitos. Coração em excesso pode dar uma baita indigestão. E pode fazer mal ao coração. Mas que bobagem estou dizendo? Peço uma porção e pronto. Depois divido com o senhor da mesa ao lado. A essa altura seria bom que ele comesse. E ele come. E agradece. E me chama de "gente boa". O guardanapo cai no chão e não percebo. O garçom passa e o entrega ao senhor da mesa ao lado. Ele lê e me devolve. Quer saber quem é "ela" e onde está.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Ela não existe. Invenção da minha cuca – eu despisto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele faz estalidos seguidos com a boca, chacoalha a cabeça lateralmente. Come o resto da porção de corações, quase intocada por mim, que deixo em sua mesa. Bebo o resto da minha cerveja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Como faço para ir a Plutão? – pergunto só para me divertir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Ué, é só seguir as baratas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rimos muito e nos calamos. Ele se levanta, deixa algumas notas amassadas sobre a mesa. Não vão dar para a despesa, mas faço sinal para o garçom de que vou pagar pelo restante. O senhor veste o casaco, faz frio na noite de setembro, e me estende a mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Não morra. Longe ou perto, pra amar basta estar vivo – diz ele antes de sumir na noite, no universo, seguido pelas baratas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4835237303498521791-1381191448852160646?l=livromorto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://livromorto.blogspot.com/feeds/1381191448852160646/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://livromorto.blogspot.com/2011/10/historia-de-amor-sem-dor.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4835237303498521791/posts/default/1381191448852160646'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4835237303498521791/posts/default/1381191448852160646'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://livromorto.blogspot.com/2011/10/historia-de-amor-sem-dor.html' title='História de amor sem dor'/><author><name>Vitor Simon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17673991869491996423</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-r8TnJqgYsiU/Tt5qAfXt8oI/AAAAAAAAAVQ/fpQtuteO8o4/s220/P1011354.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4835237303498521791.post-7767987290331373871</id><published>2011-10-12T18:55:00.000-07:00</published><updated>2011-10-13T10:12:32.041-07:00</updated><title type='text'>Palco vazio</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-8eCCwU8y018/TpZI_kYkDGI/AAAAAAAAAU4/iBCnsIM1w-4/s1600/oscar.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 296px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-8eCCwU8y018/TpZI_kYkDGI/AAAAAAAAAU4/iBCnsIM1w-4/s400/oscar.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5662793838400638050" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Foto: Clarice Pereira&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há exatamente três semanas, a essa hora estávamos a caminho de Cabo Frio-RJ. Eu, o sujeito aí da foto e mais vinte e poucos malucos que gostam de parar na frente da plateia e cantar. Durante a viagem, eu e este distinto colega acabamos dividindo o mesmo quarto da pousada e também o palco, como fizemos no fim dos anos 90 no Coral Unisinos e durante todo este ano de 2011 no Madrigal Presto. Foi um pouco preocupante ver a sua barriga e os pés inchados, a debilidade da doença, mas, ao mesmo tempo, foi empolgante ver a coragem, superação e disposição que demonstrou para estar ali apesar de tudo se posicionar contra isso. No fim do primeiro concerto em Cabo Frio, na noite de quinta-feira, chorou copiosamente. Sentia, talvez, que já não teria mais muitas oportunidades como aquela de fazer o que gostava, ao lado dos amigos que escolheu para passar uma parte importante do seu tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A quem não o conheceu, não saberei descrevê-lo. Acho um erro encher uma pessoa de adjetivos pensando que assim vai poder dizer quem ela foi, ou é. Ele era simplesmente o Oscar. Até às 5 da manhã de hoje. Depois disso passou a ser uma voz que não cessará o seu canto em nosso pensamento. Uma imagem eterna, ao lado da ave de madeira, olhando para o além, quem sabe visualizando o que ainda não podemos ver.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4835237303498521791-7767987290331373871?l=livromorto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://livromorto.blogspot.com/feeds/7767987290331373871/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://livromorto.blogspot.com/2011/10/palco-vazio.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4835237303498521791/posts/default/7767987290331373871'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4835237303498521791/posts/default/7767987290331373871'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://livromorto.blogspot.com/2011/10/palco-vazio.html' title='Palco vazio'/><author><name>Vitor Simon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17673991869491996423</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-r8TnJqgYsiU/Tt5qAfXt8oI/AAAAAAAAAVQ/fpQtuteO8o4/s220/P1011354.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-8eCCwU8y018/TpZI_kYkDGI/AAAAAAAAAU4/iBCnsIM1w-4/s72-c/oscar.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4835237303498521791.post-535985420284713642</id><published>2011-10-06T18:57:00.000-07:00</published><updated>2011-10-07T05:08:48.905-07:00</updated><title type='text'>Trinta e um</title><content type='html'>Os primeiros fogos já podem ser ouvidos. São onze da manhã.&lt;br /&gt;− Alegre-se. Hoje a Terra vai completar dois mil e doze anos – grita Clara enquanto pula, de meias, sobre a cama. &lt;br /&gt;Penso em explicar que, na verdade, são quatro bilhões de anos e que o dia de hoje nada tem a ver com a idade do planeta, mas ainda tenho sono e muita preguiça de falar.&lt;br /&gt;Clara corre para a cozinha e, em alguns minutos, chega ao quarto o cheiro do café passado. Não vou almoçar hoje. &lt;br /&gt;No espelho do banheiro, a minha cara assusta. É preciso passar no mercado para comprar creme dental. &lt;em&gt;Sí, se puede&lt;/em&gt;, porque ainda é sábado. Coisa mais sem graça é feriado que cai em fim de semana.&lt;br /&gt;Clara aparece e aplica uma palmada na minha nuca.&lt;br /&gt;− Que foi? Eu não disse nada.&lt;br /&gt;− Por isso mesmo. Tô há horas aqui falando sozinha.&lt;br /&gt;Bebo o café bem quente e sem açúcar. &lt;br /&gt;− Já te falei que acho essa camisa de flanela horrível?&lt;br /&gt;− Eu gosto dela.&lt;br /&gt;− Por que não coloca aquela azul? Hoje é ano novo.&lt;br /&gt;− É véspera.&lt;br /&gt;− Dá no mesmo.&lt;br /&gt;Ela ri e joga o pano de prato na minha cara. Inferno de ano que não acaba.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4835237303498521791-535985420284713642?l=livromorto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://livromorto.blogspot.com/feeds/535985420284713642/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://livromorto.blogspot.com/2011/10/trinta-e-um.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4835237303498521791/posts/default/535985420284713642'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4835237303498521791/posts/default/535985420284713642'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://livromorto.blogspot.com/2011/10/trinta-e-um.html' title='Trinta e um'/><author><name>Vitor Simon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17673991869491996423</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-r8TnJqgYsiU/Tt5qAfXt8oI/AAAAAAAAAVQ/fpQtuteO8o4/s220/P1011354.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4835237303498521791.post-4128754779873567889</id><published>2011-09-28T12:40:00.000-07:00</published><updated>2011-09-28T12:41:02.107-07:00</updated><title type='text'>Menino-nuvem</title><content type='html'>A mãe se alarmou com o recado na agenda escolar. Festa à fantasia na sexta e já era terça-feira. Um traje precisava ser providenciado. Ao ser questionado sobre o que gostaria de usar, o menino nem pensou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vou de nuvem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pai preocupou-se. Estranhava a escolha que não fosse um super-herói. Zorro talvez estivesse fora de época, mas Super-homem, Homem Aranha e Batman ainda passavam na televisão. Ou talvez esses robôs mutantes mais contemporâneos. Enfim, buscou na gaveta o cartão daquele psiquiatra que lhe recomendaram quando o casamento esteve em crise. O especialista, ao telefone, não considerou patológico o comportamento do menino, mas colocou-se à disposição para uma avaliação mais criteriosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mãe encomendou com a costureira uma bata branca. Pronta a peça, esta foi revestida com chumaços de algodão, assim como a touca branca e as pantufas que completavam a indumentária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia marcado, foi o menino-nuvem para a escola, onde os colegas super-heróis o receberam com gargalhadas e, mais tarde, despediram-se dele com socos e pontapés.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De nariz quebrado, foi levado ao pronto-socorro, onde encontrou um dos colegas Homem Aranha que exibia uma fratura exposta no braço, adquirida ao tentar descer do segundo andar da escola pela janela. Uma má sorte: falhara a teia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4835237303498521791-4128754779873567889?l=livromorto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://livromorto.blogspot.com/feeds/4128754779873567889/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://livromorto.blogspot.com/2011/09/menino-nuvem.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4835237303498521791/posts/default/4128754779873567889'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4835237303498521791/posts/default/4128754779873567889'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://livromorto.blogspot.com/2011/09/menino-nuvem.html' title='Menino-nuvem'/><author><name>Vitor Simon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17673991869491996423</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-r8TnJqgYsiU/Tt5qAfXt8oI/AAAAAAAAAVQ/fpQtuteO8o4/s220/P1011354.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4835237303498521791.post-560327234488878795</id><published>2011-09-27T13:00:00.000-07:00</published><updated>2011-09-27T13:10:44.856-07:00</updated><title type='text'>Sim, eu canto</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-mrljZbaaxKQ/ToIryI0Af6I/AAAAAAAAAUw/aL2ZyPwhrTk/s1600/homens%2Bde%2Bpreto.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-mrljZbaaxKQ/ToIryI0Af6I/AAAAAAAAAUw/aL2ZyPwhrTk/s400/homens%2Bde%2Bpreto.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5657132222289837986" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Tem certas coisas na minha vida que aconteceram naturalmente. Cantar, por exemplo. Não sei explicar muito bem como começou, quando vi já estava cantando. Eu, um tímido por excelência. Quando digo que canto, as pessoas me olham com uma cara desconfiada e disparam aquela interrogação: "tu canta?". O fato é que, com exceção daquele período experimental e nem um pouco promissor das bandas de garagem, lá pelos meus 17 anos, eu nunca me arrisquei a cantar sozinho. E, sinceramente, sozinho não tem a menor graça. O grande barato de cantar está em juntar as vozes, na maior parte do tempo seguindo linhas melódicas e até rítmicas diversas, mas que se complementam formando algo belo. O grande barato de cantar é subir ao palco, deixar de ser eu e me tornar algo coletivo, com uma identidade transcendental que só a arte é capaz de proporcionar. Embora esse papo possa soar meio bicho-grilo, é exatamente o que eu sinto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, além de me levar ao cosmos sem precisar de gasolina, cantar já me levou a lugares muito legais ao longo da vida, como Alemanha, Uruguai, diversos lugares no Brasil e, mais recentemente, a Cabo Frio-RJ, conforme o registro fotográfico acima. Além disso, é uma grande oportunidade para fazer amigos de altíssima qualidade, como os da foto, e levar algo de bom para quem assiste. Momentos de deleite autêntico e sincero, compartilhados com generosidade, indeléveis, tão raros nessa vida cada vez mais efêmera.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4835237303498521791-560327234488878795?l=livromorto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://livromorto.blogspot.com/feeds/560327234488878795/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://livromorto.blogspot.com/2011/09/sim-eu-canto.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4835237303498521791/posts/default/560327234488878795'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4835237303498521791/posts/default/560327234488878795'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://livromorto.blogspot.com/2011/09/sim-eu-canto.html' title='Sim, eu canto'/><author><name>Vitor Simon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17673991869491996423</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-r8TnJqgYsiU/Tt5qAfXt8oI/AAAAAAAAAVQ/fpQtuteO8o4/s220/P1011354.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-mrljZbaaxKQ/ToIryI0Af6I/AAAAAAAAAUw/aL2ZyPwhrTk/s72-c/homens%2Bde%2Bpreto.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4835237303498521791.post-2085052859886950107</id><published>2011-09-21T09:47:00.000-07:00</published><updated>2011-09-21T09:48:07.739-07:00</updated><title type='text'>O próximo, por gentileza</title><content type='html'>Hoje me deu uma vontade louca de contar a minha vida para a caixa do supermercado. Ou talvez só as últimas horas, para ser mais breve. Mas antes que eu dissesse a primeira palavra, o pessoal da fila já fez cara feia. Ensaquei minhas compras e fui embora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4835237303498521791-2085052859886950107?l=livromorto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://livromorto.blogspot.com/feeds/2085052859886950107/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://livromorto.blogspot.com/2011/09/o-proximo-por-gentileza.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4835237303498521791/posts/default/2085052859886950107'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4835237303498521791/posts/default/2085052859886950107'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://livromorto.blogspot.com/2011/09/o-proximo-por-gentileza.html' title='O próximo, por gentileza'/><author><name>Vitor Simon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17673991869491996423</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-r8TnJqgYsiU/Tt5qAfXt8oI/AAAAAAAAAVQ/fpQtuteO8o4/s220/P1011354.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4835237303498521791.post-8971126208675438556</id><published>2011-09-15T10:57:00.000-07:00</published><updated>2011-09-15T11:12:34.048-07:00</updated><title type='text'>Orlando</title><content type='html'>Hoje vou quebrar um silêncio de nove anos. Em julho de 2002 eu perdi o meu pai e desde então não consegui falar muito sobre o assunto. Mas hoje, não sei explicar a razão, deu vontade de dizer algumas coisas. Então lá vai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu pai era um cara de voz forte. Sua simples presença (ele era grande não só para mim) já decretava uma certa autoridade. Uma autoridade doce, generosa, conciliadora e justa. Quando não conseguia conciliar e era desafiado de forma mal educada, simplesmente se calava e fechava a cara. Assim como fez nos últimos dias da doença. Doença mal educada. Ele se sentava em um sofá da garagem, com a cabeça entre as mãos, na companhia de um gato da vizinhança que o neto Tiago apelidou de Trovão. O mesmo Trovão que, no dia da morte do pai, andava de um lado para outro, miando sem parar. Para o Trovão o pai fora embora muito rápido, assim como para mim. Nem daria tempo de conhecer a minha filha, nascida quatro anos mais tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da infância eu tenho recortes visuais. Os passeios de carro pela cidade no domingo, sem nenhum destino certo. As idas à “granja” onde ele trabalhava, dias de grande adrenalina pra mim, um guri da cidade. A noite em que ele me tirou da cama para ver o cometa Halley. A madrugada em que ficamos acordados juntos para ver o Renato meter duas buchas e o Grêmio ser Campeão do Mundo. As pescarias noturnas, ele sempre com medo das cobras. As pegadinhas nos dias festivos, com presentes escondidos em lugares inatingíveis. As histórias de assombração que ele jurava ter visto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu hobby preferido era fazer churrasco. De preferência em larga escala. Organizava o almoço da Festa da Colheita para mais de quinhentas pessoas. Muitas vezes se confundia com as palavras. Trocava “recinto” por “recipiente”, “embalo” por “embalagem”, “retrovisor” por “retransmissor”. Não era muito de demonstrar sentimentos. Só nos seus últimos tempos, em que ficava emotivo e começava a falar sem parar sobre a forma grotesca como fora tratado por meu avô durante a infância. Apanhava por não trabalhar o suficiente na lavoura, numa rotina de escravidão que durava desde o nascer do sol até o anoitecer. Até o dia em que fugiu de casa e se escondeu no mato para não apanhar mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fico imaginando o que ele me diria hoje, se me visse. Provavelmente diria para eu andar na linha e parar de dar cabeçadas na parede (ele me conhece e sabe que faço isso). Mas, depois de passar pela reveladora experiência da morte, talvez ele apenas me dissesse para seguir meu coração, por mais que isso me custe. Sem sentimentalismos, claro, porque nós alemães não somos afeitos a isso. Pobres de nós. Ou talvez ele só me dissesse que a minha companhia lhe faz falta, como me faz a dele. Talvez. Porque se a vida é feita de incertezas, tanto mais é a morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, essa é a história de um homem desconhecido. A minha história sobre ele. Ou pelo menos uma pequena parte da história. Porque sou um cara de poucas palavras e de textos sem fôlego. E nesse pequeno mundo que envolve a Rua Carlos Ernesto Knorr e a Granja Cipó, em Belizário, para mim, desde julho de 2002 e para sempre, haverá um silêncio imenso e ensurdecedor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4835237303498521791-8971126208675438556?l=livromorto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://livromorto.blogspot.com/feeds/8971126208675438556/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://livromorto.blogspot.com/2011/09/orlando.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4835237303498521791/posts/default/8971126208675438556'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4835237303498521791/posts/default/8971126208675438556'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://livromorto.blogspot.com/2011/09/orlando.html' title='Orlando'/><author><name>Vitor Simon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17673991869491996423</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-r8TnJqgYsiU/Tt5qAfXt8oI/AAAAAAAAAVQ/fpQtuteO8o4/s220/P1011354.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4835237303498521791.post-6552757659937631345</id><published>2011-09-09T13:48:00.000-07:00</published><updated>2011-09-09T13:49:51.537-07:00</updated><title type='text'>Deus é o caos</title><content type='html'>Dia desses, conversando com um grande amigo separado pela distância geográfica, mas reencontrado por “culpa” da tecnologia, eu revelava minhas angústias e anseios mais recentes. Nesse contexto de queixas, incertezas e sensações arrebatadoras, o amigo surgiu com a frase que julguei a mais simples e genial da última década: “a gente surfa no caos”. A imagem é bela e trágica ao mesmo tempo. E assusta. Principalmente porque me chamou à realidade de que o caos está em toda a parte, ao nosso redor, andando pelas ruas, flutuando no ar, sentado à mesa conosco, circulando pelos cômodos da casa, perturbando o sono. &lt;br /&gt;Muitas vezes, na estabilidade (ou pseudo) da vida, em sua patética e efêmera organização que qualquer ventinho toca por terra, a gente não percebe que o caos está ali. Ou faz de conta que não o vê. Onipotente, onisciente, onipresente. Deus é o caos. E que bom que está ali. Porque nos obriga a ter coragem, nos arranca da covardia de viver com a boca escancarada, cheia de dentes, esperando a morte chegar. Empurra-nos a fazer besteira e viver com muito mais perigo e delícia. E com muito mais dor (por que não?). Sentindo medo, sim, muito medo. E vergonha. E frustração. E encantamento. Tudo isso ao mesmo tempo, matéria da vida. &lt;br /&gt;Então, viva o caos e toda a dor de barriga que ele provoca.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4835237303498521791-6552757659937631345?l=livromorto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://livromorto.blogspot.com/feeds/6552757659937631345/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://livromorto.blogspot.com/2011/09/deus-e-o-caos.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4835237303498521791/posts/default/6552757659937631345'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4835237303498521791/posts/default/6552757659937631345'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://livromorto.blogspot.com/2011/09/deus-e-o-caos.html' title='Deus é o caos'/><author><name>Vitor Simon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17673991869491996423</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-r8TnJqgYsiU/Tt5qAfXt8oI/AAAAAAAAAVQ/fpQtuteO8o4/s220/P1011354.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4835237303498521791.post-7938776563261633987</id><published>2011-09-02T05:40:00.000-07:00</published><updated>2011-09-02T05:57:28.484-07:00</updated><title type='text'>Podem rir de mim</title><content type='html'>O que está na moda na propaganda é a autodepreciação. Pessoas famosas aceitam a ingrata missão de tirarem sarro de sua própria imagem desgastada para, em troca, faturarem uma grana preta. Aconteceu recentemente com o Biafra, no comercial da Bradesco Seguros, e com o Ricardo Macchi, o eterno Cigano Igor, no do Fiat 500. Ah, também com o Beto Barbosa na propaganda da Skol. E, nos primórdios, a Carla Peres também se sujeitou a isso no comercial da América Online. Não tem orgulho que o dinheiro não compre. Se bem que, na boa, acho bacana esse negócio de rir de si mesmo e assumir o seu ridículo. Talvez seja exagero fazer esse papelão diante de milhões de pessoas, mas, se está bom para os dois lados, beleza pura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe src="http://www.youtube.com/embed/VkCC179we9c" allowfullscreen="" frameborder="0" height="345" width="495"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe src="http://www.youtube.com/embed/NUsP1_H4ZEc" allowfullscreen="" frameborder="0" height="345" width="495"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe src="http://www.youtube.com/embed/wD6-QeagcAE" allowfullscreen="" frameborder="0" height="345" width="495"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe src="http://www.youtube.com/embed/MdNao3jSjbA" allowfullscreen="" frameborder="0" height="345" width="495"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4835237303498521791-7938776563261633987?l=livromorto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://livromorto.blogspot.com/feeds/7938776563261633987/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://livromorto.blogspot.com/2011/09/podem-rir-de-mim.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4835237303498521791/posts/default/7938776563261633987'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4835237303498521791/posts/default/7938776563261633987'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://livromorto.blogspot.com/2011/09/podem-rir-de-mim.html' title='Podem rir de mim'/><author><name>Vitor Simon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17673991869491996423</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-r8TnJqgYsiU/Tt5qAfXt8oI/AAAAAAAAAVQ/fpQtuteO8o4/s220/P1011354.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/VkCC179we9c/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4835237303498521791.post-519047092348265314</id><published>2011-08-09T12:14:00.000-07:00</published><updated>2011-08-09T12:28:36.165-07:00</updated><title type='text'>Invisível, partido ao meio</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-Jk-QyNzTJAY/TkGI86ARi9I/AAAAAAAAAUo/AzgLEV9OV4s/s1600/ItaloCalvino.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 321px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-Jk-QyNzTJAY/TkGI86ARi9I/AAAAAAAAAUo/AzgLEV9OV4s/s400/ItaloCalvino.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5638938788388506578" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Embora meu querido mestre Assis Brasil prefira os autores realistas, eu sou ávido pelo improvável. Por acreditar no inacreditável. Por isso, digo sem medo de errar: meu autor preferido é Ítalo Calvino. Especificamente por culpa de dois livros. “Visconde partido ao meio” mora na minha cabeceira. É a história de Medardo di Terralba, um nobre que decide ir à guerra e tem seu corpo dividido pelo canhão dos turcos. A metade boa e a metade má passam a viver de forma independente. A boa agradando a todos e a má aprontando das suas. Duas partes opostas da mesma pessoa. Mas você provavelmente não vai gostar de ler isso porque você é bom por inteiro. Ou não é?&lt;br /&gt;“As cidades invisíveis” é a outra obra dele que me faz a cabeça. A ideia do livro é muito simples. Lugares imaginários (quem não os tem?) descritos com requintes de genialidade. Quase me mudei para meia dúzia deles, mas meu passaporte está vencido desde 1995.&lt;br /&gt;Calvino, este cubano adorável, é a sofisticação daquele realismo fantástico que descobri em Garcia Marquez. Aquele, do “Afogado mais bonito do mundo”.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4835237303498521791-519047092348265314?l=livromorto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://livromorto.blogspot.com/feeds/519047092348265314/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://livromorto.blogspot.com/2011/08/invisivel-partido-ao-meio.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4835237303498521791/posts/default/519047092348265314'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4835237303498521791/posts/default/519047092348265314'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://livromorto.blogspot.com/2011/08/invisivel-partido-ao-meio.html' title='Invisível, partido ao meio'/><author><name>Vitor Simon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17673991869491996423</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-r8TnJqgYsiU/Tt5qAfXt8oI/AAAAAAAAAVQ/fpQtuteO8o4/s220/P1011354.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-Jk-QyNzTJAY/TkGI86ARi9I/AAAAAAAAAUo/AzgLEV9OV4s/s72-c/ItaloCalvino.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4835237303498521791.post-6515065365506546363</id><published>2011-07-27T09:18:00.001-07:00</published><updated>2011-07-27T09:19:42.944-07:00</updated><title type='text'>Temos a TV que merecemos</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-iWG2DezL_ec/TjA6mprbAbI/AAAAAAAAAUY/E56WfK_hxoE/s1600/televis%25C3%25A3o2.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-iWG2DezL_ec/TjA6mprbAbI/AAAAAAAAAUY/E56WfK_hxoE/s400/televis%25C3%25A3o2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5634067569537909170" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Eu vejo muita televisão. TV aberta, porque aquela por assinatura teve que ser providencialmente cortada do meu complexo orçamento doméstico. E vejo de tudo. Tudo mesmo. Primeiro porque isso é um requisito da minha profissão, publicitário. Segundo porque tenho um tique nervoso no meu polegar que me obriga a apertar o dedo no controle de dez em dez segundos. É uma doença desconhecida, os médicos ainda não descobriram sua causa.&lt;br /&gt;E nessas andanças pelo mundo technicolor eu vejo coisas. Uma delas é o programa mais chato, mais resistente e há mais tempo no ar na TV brasileira: o tal do Globo Repórter. Na sexta de noite. É para o sujeito encher a cara mesmo. Os temas são variados. Ou é natureza (salve a natureza!) ou é alimentação. Nem pense em sugerir outra pauta. Um dos últimos que vi (na verdade, vi só dez segundos) era sobre o desperdício de alimentos. Muito útil, tenho que reconhecer. Mas me fez lembrar que a mãe nos mandava comer as cascas queimadas do pão, do contrário não aprenderíamos a assobiar. Simples assim.&lt;br /&gt;Outra pérola da televisão eu vi ontem à noite no Programa do Ratinho. Um garoto de 12 anos que já segue o caminho do pai: é palestrante motivacional. Com seu terno, gel no cabelo e um sorrisinho fake, ele dizia que não tinha sonhos: tinha objetivos. Ah, vai pra ponte que partiu. Ele não, que é um pobre inocente, mas os pais que incentivam essa bobagem. E os otários que assistem as suas palestras. Criança tem que ser criança, brincar, aprender coisas, fazer amigos. Criança tem sim que ter sonhos. Não tem que se fantasiar de adulto e ainda ser aplaudido por isso. Ora essa...&lt;br /&gt;Bom, pra terminar, a melhor de todas. O comentário do Paulo Santana no Jornal do Almoço sobre a demissão do até então técnico do Internacional, Paulo Roberto Falcão. Santana, genial como sempre, apareceu pedindo demissão ao presidente da emissora por considerar-se um comentarista incompetente e caduco. Isso porque ela havia errado por dois dias a previsão de permanência do treinador. Ele havia previsto 3 meses exatos. Para minha surpresa, porém, vi depois disso, não uma, mas várias pessoas perplexas perguntando: “é sério isso? Ele se demitiu mesmo?”. Fiquei sem palavras, porque não posso conceber que as pessoas não sejam mais capazes de entender uma ironia perfeita como essa do Santana. O que está acontecendo? Será que os Titãs tinham razão quando cantavam que “a televisão me deixou burro, muito burro demais”? A propósito, no início deste texto, quando eu falava sobre a doença no meu dedo, estava sendo irônico, tá? Entendeu?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4835237303498521791-6515065365506546363?l=livromorto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://livromorto.blogspot.com/feeds/6515065365506546363/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://livromorto.blogspot.com/2011/07/temos-tv-que-merecemos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4835237303498521791/posts/default/6515065365506546363'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4835237303498521791/posts/default/6515065365506546363'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://livromorto.blogspot.com/2011/07/temos-tv-que-merecemos.html' title='Temos a TV que merecemos'/><author><name>Vitor Simon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17673991869491996423</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-r8TnJqgYsiU/Tt5qAfXt8oI/AAAAAAAAAVQ/fpQtuteO8o4/s220/P1011354.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-iWG2DezL_ec/TjA6mprbAbI/AAAAAAAAAUY/E56WfK_hxoE/s72-c/televis%25C3%25A3o2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4835237303498521791.post-3218676914677304707</id><published>2011-07-25T05:22:00.000-07:00</published><updated>2011-07-25T05:26:16.335-07:00</updated><title type='text'>Goodbye</title><content type='html'>É difícil captar a dimensão da alma de um artista. E sendo esse artista, é difícil caber em si. O corpo padece, o coração resvala. Tudo é insuficiente. A vida, por si só, não basta.&lt;br /&gt;Boa viagem, Amy. E obrigado por nos deixar a sua voz pela eternidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4835237303498521791-3218676914677304707?l=livromorto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://livromorto.blogspot.com/feeds/3218676914677304707/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://livromorto.blogspot.com/2011/07/goodbye.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4835237303498521791/posts/default/3218676914677304707'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4835237303498521791/posts/default/3218676914677304707'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://livromorto.blogspot.com/2011/07/goodbye.html' title='Goodbye'/><author><name>Vitor Simon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17673991869491996423</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-r8TnJqgYsiU/Tt5qAfXt8oI/AAAAAAAAAVQ/fpQtuteO8o4/s220/P1011354.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4835237303498521791.post-4645340672668968762</id><published>2011-07-22T11:41:00.000-07:00</published><updated>2011-07-22T13:30:56.689-07:00</updated><title type='text'>O novo humor brasileiro</title><content type='html'>Quem teve, como eu, a oportunidade de assistir à TV Pirata no fim dos anos 80 e início dos 90, pode dizer que já viu o melhor programa de humor de todos os tempos. E provavelmente não haverá outro melhor. Para as novas gerações, felizmente, nada se perde, pois é só entrar no youtube e ver o seu episódio favorito.&lt;br /&gt;Em todo o caso, o humor brasileiro é quase como o futebol. Está toda hora se renovando, revelando novos craques. O CQC trouxe um novo fôlego ao cenário humorístico desgastado pelo já cansativo Casseta e Planeta e pelas piadas forçadas e constrangedoras do Pânico. E depois do fracasso do Formigueiro, subproduto do CQC, apresentado por um dos seus cabezas Marco Luque, outro filho prodígio de Marcelo Tas parece ter engrenado um pouco melhor com seu Agora é Tarde. Danilo Gentili conduz a atração com grande desenvoltura, apoiado por fiéis escudeiros da comédia e pela experiência do Ultraje a Rigor, a Filarmônica de Paraisópolis segundo o próprio Gentili. O programa é descontraído e faz uma mistura fina de Programa do Jô com CQC, com a ressalva de contar com alguns improvisos que parecem ter sido ensaiados. E o Agora é Tarde não precisava ser tão tarde, porque quando agora for cedo eu tenho que acordar para fazer meu stand-up de peão.&lt;br /&gt;Fora isso, é só destacar a supremacia da Band em relação ao SBT e à Globo, com seus horríveis A Praça é Nossa, Zorra Total e Turma do Didi. Só os Caras de Pau que ainda merecem algum crédito. Por falar em Didi, é lamentável que as geniais interpretações dos trapalhões Renato Aragão e Dedé Santana, ao lado dos incríveis e saudosos Muçum e Zacarias, tenham se reduzido a algo tão sofrível. Tem gente que não sabe a hora de parar. Viva a renovação do humor brasileiro!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4835237303498521791-4645340672668968762?l=livromorto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://livromorto.blogspot.com/feeds/4645340672668968762/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://livromorto.blogspot.com/2011/07/o-novo-humor-brasileiro.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4835237303498521791/posts/default/4645340672668968762'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4835237303498521791/posts/default/4645340672668968762'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://livromorto.blogspot.com/2011/07/o-novo-humor-brasileiro.html' title='O novo humor brasileiro'/><author><name>Vitor Simon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17673991869491996423</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-r8TnJqgYsiU/Tt5qAfXt8oI/AAAAAAAAAVQ/fpQtuteO8o4/s220/P1011354.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4835237303498521791.post-5774496723029490003</id><published>2011-07-21T05:31:00.001-07:00</published><updated>2011-07-21T05:31:34.337-07:00</updated><title type='text'>Luta vã</title><content type='html'>Felipe diz à enfermeira que a luta contra o emocional é uma luta vã. Ela termina de amarrar Atanásio na cama e vem até Felipe, colocando a mão sobre sua testa para sentir a temperatura. A enfermeira determina que ele descanse e pare de pensar nessas coisas tão complicadas.&lt;br /&gt;Atanásio resmunga sem parar. Ele fala rápido e pisca o tempo todo. Ora com um olho, ora com o outro. Ora com os dois. Em seu murmúrio quase indecifrável há uma história de um bilhete feito com letras recortadas de jornal dizendo: “Some no mundo, Atanásio. Quanto antes, melhor”.&lt;br /&gt;Felipe tenta seguir a recomendação da enfermeira e procura descansar, mas não consegue tirar da cabeça o pensamento obsessivo de que lutar contra o emocional é uma luta vã. Talvez porque seu novo colega de quarto ainda se debata, forçando as cordas inutilmente.&lt;br /&gt;De onde essas coisas vinham à sua cabeça ele não sabia. Vinham e ficavam por ali sem um lugar melhor para se acomodarem. Tantas coisas sem saber. O admirável planeta emocional, químico, cerebral, filosófico, contra o qual ninguém podia se meter a homem. Tomava bordoada, cacetada da grossa.&lt;br /&gt;Atanásio repousa, enfim. Tem agora a voz calma e firme.&lt;br /&gt;– Também estão atrás de você?&lt;br /&gt;– Do que estamos falando mesmo?&lt;br /&gt;– Eles estão por toda a parte, mas se a gente se ajudar, podemos derrotá-los.&lt;br /&gt;– Não conte comigo.&lt;br /&gt;Atanásio sorri e um segundo depois está gritando e se debatendo. A enfermeira entra com uma seringa na mão. Atanásio olha para Felipe e sinaliza com a cabeça para o urinol de metal. Felipe não entende o porquê, mas agarra o objeto e atinge a cabeça da enfermeira, que cai desacordada. Luta vã é a luta contra o emocional.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4835237303498521791-5774496723029490003?l=livromorto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://livromorto.blogspot.com/feeds/5774496723029490003/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://livromorto.blogspot.com/2011/07/luta-va.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4835237303498521791/posts/default/5774496723029490003'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4835237303498521791/posts/default/5774496723029490003'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://livromorto.blogspot.com/2011/07/luta-va.html' title='Luta vã'/><author><name>Vitor Simon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17673991869491996423</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-r8TnJqgYsiU/Tt5qAfXt8oI/AAAAAAAAAVQ/fpQtuteO8o4/s220/P1011354.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4835237303498521791.post-2034660131661910205</id><published>2011-07-13T13:53:00.000-07:00</published><updated>2011-07-13T13:56:06.043-07:00</updated><title type='text'>Pintura de horror</title><content type='html'>Estouram as vidraças. Há uma fumaça densa que entra e dança sobre os móveis, sobre a pintura inacabada no meio da sala. Um cheiro de terra removida está misturado ao frescor da manhã.&lt;br /&gt;Não me atrevo a olhar para fora. Na tela, o pó se acumula sobre a tinta e a tragédia requisita co-autoria na obra. Ando pela casa e o vidro quebrado encrava-se nas solas de minhas botas. Gritos e lamentações invadem o ambiente, vindos de longe, de perto, de direções incertas.&lt;br /&gt;Batem à porta. Posso fingir que não há ninguém. E se o mundo inteiro estiver em fuga? Giro a chave, movo o trinco, puxo a porta ao meu encontro. Um homem se precipita. Tem a barba por fazer, o rosto coberto de fuligem, a roupa rasgada. Os olhos estão abertos ao extremo e a respiração é lancinante. Uma linha de sangue desce pela testa. Ele segura meus braços. Não diz o que quer, talvez nada. Tomba de joelhos sobre o tapete peruano. Livro-me de seus dedos e afasto-me. O homem está ajoelhado e não se move mais, nem respira. O sangue começa a ficar negro, os lábios arroxeados. Vai cair de uma vez por todas ou ficar ajoelhado para sempre? Será isso a morte, uma eterna penitência? Onde coloquei as chaves do carro?&lt;br /&gt;Um idoso pede carona.&lt;br /&gt;– A moça vai para onde?&lt;br /&gt;– Longe daqui.&lt;br /&gt;– Cabe mais um?&lt;br /&gt;Aciono o botão que destranca as portas. O senhor se acomoda e prende o cinto de segurança. Solto a embreagem devagar e piso firme, pé semidescalço, a meia escorregando sobre o acelerador. O motor dá um rugido e o carro avança, aos sobressaltos, reflexos do que vai dentro do meu peito.&lt;br /&gt;– O senhor também está fugindo do terremoto?&lt;br /&gt;– Na minha idade eu não fujo de mais nada.&lt;br /&gt;– O que o senhor faz da vida?&lt;br /&gt;– Fui professor um dia.&lt;br /&gt;– Só um dia?&lt;br /&gt;– Quis dizer que já fui professor.&lt;br /&gt;– De quê?&lt;br /&gt;– Matemática. E você, faz o quê?&lt;br /&gt;– Pinto quadros.&lt;br /&gt;– Interessante. E o que mais?&lt;br /&gt;– Só isso.&lt;br /&gt;– Não pensa em fazer algo útil?&lt;br /&gt;– Por que preciso fazer algo útil?&lt;br /&gt;– Bom, as pessoas esperam que você faça.&lt;br /&gt;– Que pessoas?&lt;br /&gt;– Esqueça.&lt;br /&gt;– Meus quadros não são úteis, mas são bonitos.&lt;br /&gt;– Se você diz.&lt;br /&gt;A tarde está bela. Lembra muito William Turner, colorista britânico, com seus efeitos atmosféricos e luminosos nos quais as formas perdem a consistência e contornos e as cores puras se tornam protagonistas no quadro.&lt;br /&gt;– O senhor não vai acreditar, mas tinha um homem morto na minha casa.&lt;br /&gt;– Grande novidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4835237303498521791-2034660131661910205?l=livromorto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://livromorto.blogspot.com/feeds/2034660131661910205/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://livromorto.blogspot.com/2011/07/pintura-de-horror.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4835237303498521791/posts/default/2034660131661910205'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4835237303498521791/posts/default/2034660131661910205'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://livromorto.blogspot.com/2011/07/pintura-de-horror.html' title='Pintura de horror'/><author><name>Vitor Simon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17673991869491996423</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-r8TnJqgYsiU/Tt5qAfXt8oI/AAAAAAAAAVQ/fpQtuteO8o4/s220/P1011354.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4835237303498521791.post-4947673116878310261</id><published>2011-07-11T12:33:00.000-07:00</published><updated>2011-07-11T13:11:01.561-07:00</updated><title type='text'>Rosália morta na curva dos eucaliptos</title><content type='html'>Isso ainda não é a morte. Não pode ser. Identifico a estância, um borrão na linha do horizonte. Posso ver meu cavalo, ao lado, mordendo o pasto. Ouço o barulho dos seus dentes, a sua respiração, os cascos de encontro ao chão. A adaga brilha sob o sol, presa na cela. Estou deitada e não me movo. Devo ter quebrado a espinha. E aqui não haverá alguém que me socorra. Nem um pobre coitado que tenha o fardo de me enterrar como cristã. Vou ser comida de bicho e meus ossos vão se acomodar na erva do campo.&lt;br /&gt;Visualizo em minha mente cada um dos meus agressores. E quero gravar bem as suas faces para reconhecê-los de pronto quando nos encontrarmos em uma das querências do inferno. Um deles, que os outros chamavam de Lopes, era baixo, tinha os cabelos compridos e usava um chapéu de aba curta que parecia grudado na cabeça. Andava descalço e saltou do cavalo com tanta rapidez que não me deu a oportunidade de reagir. O que matei, este era jovem e tinha o cabelo negro. Vestia-se bem, quase como um cavalheiro, mas o condenava o hálito de aguardente. Falava em espanhol e atendia pelo apelido de castelhano. O terceiro era velho, tinha uma barba grande e o corpo coberto por um poncho ordinário.&lt;br /&gt;Não sinto dor. Só o torpor e o abandono. Não sinto fome, nem sede, nem frio. Essas são demandas de quem tem vida pela frente. De agora em diante, tenho outras intenções. E até a luz divina me encontrar nesta curva do fim do mundo, tempo não faltará para lembrar-me dos detalhes do ocorrido.&lt;br /&gt;Foi no dia 23 de agosto, em que o frio já não tem mais tanto rigor, visto que a próxima estação vem de passo largo. Não era bem meio-dia, eu aprontava o almoço quando vi a nuvem de poeira na estrada. De vez em quando passava viajante a caminho de Dom Pedrito. Era comum, nem dava importância, mas o som daquele galope foi ficando mais alto e eu, com receio de descuidar as panelas no fogo, saí no último minuto para atender ao "ó de casa". Foi quando o tal de Lopes saltou do cavalo e me acertou a testa com o cabo de uma adaga.&lt;br /&gt;Invadiram a casa. Eu fiquei deitada junto à porta, tentando recobrar os movimentos. Lopes vasculhou tudo e arrancou as louças dos armários. Saiu da casa por fim e abriu a porteira do gado. O velho foi ajudá-lo.&lt;br /&gt;– Deixa os magrelos aí, Lopes – gritou o velho. – Eu gosto é de churrasco bem gordo.&lt;br /&gt;O castelhano arrastou-me para dentro da casa. Enquanto acariciava meus seios, levei minha mão disfarçadamente até a cintura. Empunhei o cabo, puxei a adaga e furei a barriga do infeliz com um só golpe.&lt;br /&gt;Tudo na sala estava revolvido, menos o quadro de meus pais, na moldura redonda, firme sobre todas as coisas. Lá fora, o gado corria solto e o velho se encarregava de contá-lo. Avistei o zaino, já encilhado, parado a vinte passos da casa, como se estivesse à espera.&lt;br /&gt;Entre todos os antepassados, tenho orgulho de um deles em especial. Meu bisavô, o major Antônio Flores, que cruzou o Arroio Seival na primeira brigada do exército liberal republicano, perfilado com o General Neto, na tarde de 10 de setembro de 1836. Esteve entre os quatrocentos homens que mataram cento e oitenta, feriram sessenta e três e aprisionaram mais cem. De acordo com relatos, foi dele o golpe que rompeu o freio do cavalo de Silva Tavares, comandante inimigo. Quando o cavalo partiu desgovernado, a batalha se definiu em favor dos farroupilhas. Isso rendeu ao meu bisavô uma condecoração e a amizade de Neto, tropeiro como ele. &lt;br /&gt;Guardo ainda como relíquia a heróica adaga, cuidadosamente repassada a cada geração posterior. E foi ela que hoje me ajudou a matar um homem. Foi com ela, ainda suja, que parti na cavalgada de meia légua rumo à estrada. &lt;br /&gt;Foi uma cobra ou uma ave ou minha mão desregrada pelo atordoamento dos fatos que assustou a montaria na curva dos eucaliptos. E quando, de encontro ao chão, senti os ossos partindo, dei por finalizada a investida do destino que teimava em me carregar para outras bandas.&lt;br /&gt;O vento balança os galhos dos eucaliptos e inunda o ar de frescor. Acho que já vai anoitecer. Intensa como a solidão da morte aqui nestes ermos é a reclamação aguda das rodas da carroça que se aproxima. Está repleta de panelas e badulaques que tornam o alvoroço ainda mais escandaloso. Em meio à carga, há uma lança desgastada pelo tempo.&lt;br /&gt;Da carroça, que para ao meu lado, desce um homem muito velho, de pele negra, mancando, tossindo e vestindo trapos. Reconheço a vincha vermelha na cabeça e as chilenas nos pés.&lt;br /&gt;A despeito de sua aparência, carrega-me com força descomunal e larga-me sobre as tábuas da carroça. Solto um gemido e ele uma gargalhada.&lt;br /&gt;– Bem se vê que és uma farroupilha – fala sorrindo com seus dentes amarelos. – Gente de brio, que a morte não corcoveia.&lt;br /&gt;Seguimos na direção da estância. A noite abre seu poncho negro sobre o céu. Não vejo estrelas, mas acho que virão, assim como o frescor e os ruídos das corujas, dos grilos e das almas penadas.&lt;br /&gt;Em casa, tudo está no pleno sossego. Para mim, no entanto, é um pouco como se ainda estivesse morta, lá, na curva dos eucaliptos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4835237303498521791-4947673116878310261?l=livromorto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://livromorto.blogspot.com/feeds/4947673116878310261/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://livromorto.blogspot.com/2011/07/rosalia-morta-na-curva-dos-eucaliptos.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4835237303498521791/posts/default/4947673116878310261'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4835237303498521791/posts/default/4947673116878310261'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://livromorto.blogspot.com/2011/07/rosalia-morta-na-curva-dos-eucaliptos.html' title='Rosália morta na curva dos eucaliptos'/><author><name>Vitor Simon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17673991869491996423</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-r8TnJqgYsiU/Tt5qAfXt8oI/AAAAAAAAAVQ/fpQtuteO8o4/s220/P1011354.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4835237303498521791.post-8006232472444764869</id><published>2011-07-08T06:07:00.000-07:00</published><updated>2011-07-08T06:16:50.497-07:00</updated><title type='text'>Cruzadas no xadrez</title><content type='html'>De lápis e palavras cruzadas nas mãos, o carcereiro aproxima-se da cela.&lt;br /&gt;– Ei, alguém aí sabe quem foi o pintor que tinha um estúdio flutuante?&lt;br /&gt;– Quantas letras? – pergunto.&lt;br /&gt;– Cinco.&lt;br /&gt;– Tenta Monet, com “t” mudo no final.&lt;br /&gt;– Isso aí. Valeu. Tu é bom nisso, magrão.&lt;br /&gt;– Seu guarda, o senhor sabia que os guerreiros de Gengis Khan grelhavam sua comida nos escudos?&lt;br /&gt;– Gengis quem?&lt;br /&gt;– E que nos Estados Unidos cada mulher tem em média dezenove pares de sapato?&lt;br /&gt;– Ah, vai se catar.&lt;br /&gt;O carcereiro some da minha vista.&lt;br /&gt;– É falta de homem – geme um colega de cela.&lt;br /&gt;– Quê? – indago.&lt;br /&gt;– Essa história dos sapatos. É falta de homem, só pode ser.&lt;br /&gt;– Que merda de teoria é essa? – pergunto rindo.&lt;br /&gt;– Chocolate resolveria, mas engorda. Então, qual é a solução?&lt;br /&gt;– Sapatos?&lt;br /&gt;– Dezenas deles.&lt;br /&gt;O carcereiro volta de lá.&lt;br /&gt;– Ô espertinho... rei persa derrotado pelas trirremes gregas no Golfo de Salamina. Seis letras.&lt;br /&gt;– Xerxes – respondo sem titubear. – Com “xis”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4835237303498521791-8006232472444764869?l=livromorto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://livromorto.blogspot.com/feeds/8006232472444764869/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://livromorto.blogspot.com/2011/07/cruzadas-no-xadrez.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4835237303498521791/posts/default/8006232472444764869'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4835237303498521791/posts/default/8006232472444764869'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://livromorto.blogspot.com/2011/07/cruzadas-no-xadrez.html' title='Cruzadas no xadrez'/><author><name>Vitor Simon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17673991869491996423</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-r8TnJqgYsiU/Tt5qAfXt8oI/AAAAAAAAAVQ/fpQtuteO8o4/s220/P1011354.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4835237303498521791.post-8250120159086115480</id><published>2011-07-07T05:44:00.000-07:00</published><updated>2011-07-07T05:46:30.093-07:00</updated><title type='text'>5 vezes fim do mundo</title><content type='html'>1.&lt;br /&gt;– Nuvens negras. Acho que a nossa hora chegou.&lt;br /&gt;– É só chuva.&lt;br /&gt;– Olha só. Tem razão.&lt;br /&gt;– Viu? Não tem motivo pra pânico.&lt;br /&gt;– Não olha agora, mas uma gota furou o seu guarda-chuva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2.&lt;br /&gt;– O livro de Apocalipse não fala em fim do mundo.&lt;br /&gt;– Ah, não?&lt;br /&gt;– Fala só em fim dos tempos.&lt;br /&gt;– Não saquei a diferença.&lt;br /&gt;– Fim dos tempos acontece o tempo todo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3.&lt;br /&gt;– Que tal um passeio no parque?&lt;br /&gt;– Hoje não. O mundo vai acabar.&lt;br /&gt;– Por isso mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4.&lt;br /&gt;– O que você está fazendo?&lt;br /&gt;– Vendendo todas as minhas coisas. O mundo vai acabar.&lt;br /&gt;– Quanto está a televisão?&lt;br /&gt;– Oitenta pilas.&lt;br /&gt;– Passa pra cá.&lt;br /&gt;– Só por curiosidade: o que você vai querer com uma televisão se o mundo vai acabar?&lt;br /&gt;– Aposto que vai passar tudinho no canal doze.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5.&lt;br /&gt;– Ouvi dizer que duas superpotências declararam guerra.&lt;br /&gt;– Sei.&lt;br /&gt;– E que mais um terremoto seguido de tsunami arrasou a Ásia.&lt;br /&gt;– Sei.&lt;br /&gt;– Tornados estão destruindo os Estados Unidos.&lt;br /&gt;– Sei.&lt;br /&gt;– Uma nuvem negra está encobrindo a Europa.&lt;br /&gt;– Sei.&lt;br /&gt;– O mundo está acabando e é só isso que você tem a dizer? &lt;br /&gt;– E você, o que tem a dizer?&lt;br /&gt;– Não sei.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4835237303498521791-8250120159086115480?l=livromorto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://livromorto.blogspot.com/feeds/8250120159086115480/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://livromorto.blogspot.com/2011/07/5-vezes-fim-do-mundo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4835237303498521791/posts/default/8250120159086115480'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4835237303498521791/posts/default/8250120159086115480'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://livromorto.blogspot.com/2011/07/5-vezes-fim-do-mundo.html' title='5 vezes fim do mundo'/><author><name>Vitor Simon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17673991869491996423</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-r8TnJqgYsiU/Tt5qAfXt8oI/AAAAAAAAAVQ/fpQtuteO8o4/s220/P1011354.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4835237303498521791.post-1082746736448659335</id><published>2011-07-06T07:38:00.000-07:00</published><updated>2011-07-06T07:39:28.292-07:00</updated><title type='text'>O velho e o asfalto</title><content type='html'>Peço sushi pelo telefone. Finalmente em casa depois de mais um dia extenuante no escritório. Marina liga e diz que logo chegará. Deve levar ainda uma meia hora, talvez mais, pois o trânsito está péssimo. Já devo abrir o vinho?&lt;br /&gt;Encho a banheira, afrouxo a gravata. No telejornal há um apocalipse por minuto. Pela janela do quarto andar ouço sirenes e buzinas, e vejo luzes, as mesmas de sempre, carros avançando dez metros por hora. &lt;br /&gt;Abrindo caminho entre os veículos e esfolando dezenas de latarias, um barco rasga o asfalto, puxado por um espadarte de cinco metros. Na embarcação, um velho segura a linha com uma das mãos, toda machucada, e com a outra direciona o leme. Fora isso, nada de novo na cidade. E como sempre, o sushi chega antes de Marina.&lt;br /&gt;Os tubarões seguem o trajeto do barco, esgueirando-se no meio dos táxis, sentindo o cheiro de peixe fresco diluído no gás carbônico. Em breve, da farta pescaria do velho nada restará além de uma espinha gigante.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4835237303498521791-1082746736448659335?l=livromorto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://livromorto.blogspot.com/feeds/1082746736448659335/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://livromorto.blogspot.com/2011/07/o-velho-e-o-asfalto.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4835237303498521791/posts/default/1082746736448659335'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4835237303498521791/posts/default/1082746736448659335'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://livromorto.blogspot.com/2011/07/o-velho-e-o-asfalto.html' title='O velho e o asfalto'/><author><name>Vitor Simon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17673991869491996423</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-r8TnJqgYsiU/Tt5qAfXt8oI/AAAAAAAAAVQ/fpQtuteO8o4/s220/P1011354.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4835237303498521791.post-5568718984406633239</id><published>2011-07-06T05:11:00.000-07:00</published><updated>2011-07-06T05:29:10.643-07:00</updated><title type='text'>É preciso regar</title><content type='html'>Este blog morreu algumas vezes. Como uma planta, pelo desinteresse do seu dono. Mas como fui um itinerante durante muito tempo na minha vida, deixei amigos espalhados. E tenho vontade de dizer a eles - e também aos amigos que ainda farei - como estou e o que penso, e o blog para isso se presta. Dizer que ainda não virei adubo, embora me encaminhe inapelavelmente para isso. Meus contos também querem ser lidos e querem dar sentido ao nome deste blog. O livro jamais publicado (as editoras são prudentes e sabem o que fazem), mas que quer viver, respirar, receber os comentários mais duros e os mais encantadores.&lt;br /&gt;Aqui também há espaço para experiências diárias, impressões, para o ridículo da vida, este "espetáculo de som e fúria", segundo Shakespeare.&lt;br /&gt;Então, fique à vontade. Atualizarei periodicamente, como deve ser. Para que a planta não morra de sede novamente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4835237303498521791-5568718984406633239?l=livromorto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://livromorto.blogspot.com/feeds/5568718984406633239/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://livromorto.blogspot.com/2011/07/e-preciso-regar.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4835237303498521791/posts/default/5568718984406633239'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4835237303498521791/posts/default/5568718984406633239'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://livromorto.blogspot.com/2011/07/e-preciso-regar.html' title='É preciso regar'/><author><name>Vitor Simon</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17673991869491996423</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/-r8TnJqgYsiU/Tt5qAfXt8oI/AAAAAAAAAVQ/fpQtuteO8o4/s220/P1011354.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry></feed>
